sábado, 14 de maio de 2011

Moleque prodígio

 Por Jefferson Acácio





Do alto galho da árvore da vida
Eu clamo – não me deixe cair!
Lá de baixo, menino passou e disse – fruto maduro, mãe!
Será mesmo que apontou para mim?
- Não, não! Estou verde! Sou verde!
Verde é azedo, não faz suco doce nem misturando sumo da cana
Afastem-se de mim andorinhas com o tempo carregado no bico
Os ponteiros estão desajustados, ainda não é hora, ainda não está acabado!
Não me chamem de menino maduro, porque maduro cai do pé
Ainda estou conservado e juro sinto-me parte dessa árvore
Sinto a genética de suas raízes e como um produto vivo em desenvolvimento...
Sinto ainda o cheiro forte da grama lá em baixo, do vento acariciando-me...
É gostoso residir nessa árvore de tronco frondoso oxigenando a vida, semeando sabedoria e há muito o que fotossintetizar!
Chame-me de moleque prodígio - que tem casca verde e por dentro é vivido - 
Os frutos maduros são mais doces, mas os de cascas verdes não caem
A não ser que sejam colhidos mais cedo, mas não quero ir pra nenhum cesto!
É proibido chupar do fruto verde, não tem gosto bom...
Apesar do ditado do pomar - frutos proibidos são mais saborosos...
Não sei disso, não...
Mas olhe, sou muito verde!

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