sexta-feira, 26 de julho de 2013

Terras férteis



(Por Jefferson Acácio)

Estou sobre efeito colateral de desgosto
Injetando poesia na veia para me desconectar da matéria repugnada
Comprei passagens neurotransmissoras para o mundo da imaginação
Vou fazer de conta que volto um dia para esta nação
E quem sabe nestas terras férteis tudo se reinvente
De repente um amor do jeito que a gente não escolhe
E um céu aberto totalmente branco que a gente colore
Quando eu fecho os meus olhos eu encontro uma alma inquieta
Se debatendo desesperada, presa num frasco de coleta
Deseja voar banhada de cores aquarela transformando o céu numa tela
Voa desaninhada da raça humana desalinhada
Voa pelas estranhezas desse mundo desconstruído
E repousa no berço dos poetas esquecidos!

domingo, 23 de junho de 2013

LIÇÃO DE EQUILIBRISTA

LIÇÃO DE EQUILIBRISTA (Por Jefferson Acácio)

Algumas de nossas lições se assemelham com as praticadas pelos artistas circenses, entre elas, em especial – O equilibrista. Caminhar com equilíbrio na corda bamba, para quem assiste, é venerável. Mesmo como espectadores, nos passa um frio na barriga, uma aflição tolerável em nosso estômago. A sensação que temos é de deslumbre com movimentos suaves, simplórios, seguros, dinâmicos, e acima de tudo com graça e leveza.
Mas, então, eu me pergunto como terá sido todo o processo perpassado pelo artista para chegar àquela apresentação¿ A palavra mágica do circo é a mesma que precisamos vivenciar em nossas vidas: EQUILÍBRIO.
Mas você acha que equilíbrio é o simples fato de tentar manter-se em pé numa corda? Não Não. Somente o corpo não alcança o equilíbrio. Sua mente precisa produzir a química que sincroniza o corpo. E para isso acontecer, o artista da vida ter:
VONTADE para gerar a expectativa de chegar ao outro lado da corda bamba;
DETERMINAÇÃO para transformar desejo em planos e meta;
ATITUDE para executar;
DISCIPLINA para não perder o foco, para ignorar os fatores externos que o incomoda com mais tolerância, para não desvirtuar-se do plano, para estabelecer novos comportamentos e atitudes que serão necessários, corrigir padrões que o prejudicava, romper com os vícios e costumes não benéficos para o andamento dos aprendizados, para ter paciência com os resultados graduais;
CORAGEM para vencer os medos internos, subir na corda e encarar os primeiros testes; e
CONFIANÇA para não perder a coragem, para não temer dos riscos para cada queda, uma proteção o sustentará, e a cada vez que levantar e voltar novamente ao picadeiro a confiança está mais firme que uma rocha.
Para cada um desses princípios haja TREINO e EXERCÍCIO. E a cada exercício você SUPERA os padrões anteriores, fortalece-se e adquire uma CONSCIENCIA dos teus limites e desenvolve os primeiros estágios do EQUILIBRIO.
Vê, é uma mera questão de técnica, qualquer um consegue, e assim que domina a dinâmica do equilíbrio, você atravessa a corda bamba e alcança o outro lado do pretendido. E de modo algum perde a DISCIPLINA e os princípios que aprendeu. A CONTINUIDADE o evolui em SABEDORIA.

O poeta

(Por Jefferson Acácio)

O poeta te observa de um modo que te incomoda
Pesquisa sobre você na filosofia, psicologia...
Coleta cada movimento seu para eternizar tua personalidade
na transparência das escrituras...

Tudo no poeta tem o custo do que sente – o prazer regado ao castigo!Para que ele tenha a percepção das duas coisas!Como são doces e como amargam... Como curam e como ferem

O poeta vive no limite dos contrastes!!

No mundo real poesia é o cocho que fingimos não ver
Mas ele esta ali, mancando de uma perna com roupas de trapiche
E nós o observamos com a visão bilateral – de quem vê o certo e o errado.

As poesias são o exorcismo dos pensamentos contidos em sua alma! O coração do poeta é um portal para materializá-la

ACORDAR NO PARAÍSO

ACORDAR NO PARAÍSO (Por Jefferson Acácio)


Meu desejo é que o paraíso chegasse agora para todos sem exceções!!! Que ao acordar, tivéssemos essa surpresa inesperada! Seria um espanto de alegria.. Imagine só, sem medo....desamor, ódio, rancor, guerra, desemprego, miséria, tristeza, morte, dor, doenças, cicatrizes, violência, discriminação, fome!!!
Mas ao acordar, é um novo dia, não o paraíso, mas é um novo dia mais próximo do paraíso. Todo dia peço que ele chegue logo! Às vezes peço a Deus mais essa prova de amor, além da que já fez ao enviar para a terra a sua maior criação (Jesus) para morrer por nós, de uma maneira que nenhum de nós teria forças para suportar! Ele morreu por mim e por você! E nem somos dignos. Pior, nem fomos dignos mesmo depois dessa prova de amor. É como uma pessoa apaixonada se joga de um penhasco, com equipamentos de proteção (é claro) com um buquê de rosas, ou se sai vivo após se jogar em frente a uma bala para proteger quem ama, em seguida, casa-se... e depois é traído. Como ser merecedor?? Pior, que fomos assim, após uma prova de amor como a do Senhor, e nós ainda traímos o seu amor de mil maneiras desapontadoras. Por isso, ao pensar fazer tal pedido ao Senhor, minha garganta seca, as palavras travam na boca, pois eu sou um desmerecedor, pequeno, pecador! Como ser merecedor?
Então todos os dias, além orar, eu SONHO!! Sonho em acordar no paraíso, e reencontrar amigos, familiares e pessoas que se foram. Poder encontrar meu irmãozinho que não conheci quando o perdi quando eu ainda era criança. E poder tocar seu rosto, seu cabelo ... e dizer: - Meu irmão!!! Abraça-lo! Abraça-lo com minha mãe, meu pai, minhas irmãs!
Ó Deus, como queria que fosse assim!!! Muito! Muito! TODAS AS PESSOAS QUE ESTÃO SOFRENDO DORES fossem curadas, renovadas em alegria!
Tento me confortar de que o paraíso vai chegar, Ele vai voltar! Mas acontece que... O paraíso não chegou. A dor é hoje, é agora, está na carne! O que fazer diante disso? Fingir que nada acontece? Fingir que está tudo bem, quando nitidamente vejo que não está?
Mas sabe o que penso ao invés de me entregar à dor? Me divirto com ela! Se ela me vencer, eu a venci primeiro! Vou sorrir e vou chorar, mas vou viver cada momento alterando as frequências ruins quaisquer que sejam, por amor e paz!! Tentando ser ainda mais feliz através da dor, tentando transmitir à quem precisa mais que a mim! É meu exercício até que.. quem sabe amanhã eu acorde no paraíso?!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Poesia à Primeira Vista


Poesia à Primeira Vista (Por Jefferson Acácio)

Quando a poesia e o poeta se encontram
Acontece algo de cósmico inexplicável 
Talvez por predestinação que surge do acaso
Como um esbarrão e aquele estalo inesquecível
Como num primeiro olhar que revela um sentimento puro
Então, assim mesmo surge a primeira poesia
Cheio de clima, prosas, atenção aos detalhes, ao tato
Ao gesto indecifrável e as mãos ousadas repousam
No corpo de um papel nu e se entrega ao prazer da escrita!
O lápis coopera e esculpi a figura de um pensamento
Refletindo alguma mensagem de dentro para o universo
É um encontro prazeroso e que de desenrola como uma transa.
A respiração perde total sintonia do tempo-espaço 
O tempo congela e os olhos vigiam os pensamentos escondidos
A boca confessa, os dedos denunciam e a ocorrência é um verso acusador
A poesia e o poeta tem química invejável, causa até arrepio
São coautores, cumplices e amantes fieis!
Completam-se e fazem mais sentido quando juntos...
Como a bailarina e sua sapatilha de pano
Como o palhaço e seu nariz vermelho engraçado!
Escrever poesias é mais que uma arte experimentada
É um ato fecundo onde pensamentos se transformam em vida!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Plantação de Gente



Plantação de Gente (Por Jefferson Acácio)


Como não apreciar o painel de emoções da vida sem as lembranças
Como não caminhar pelas calçadas de Copacabana sem um samba
Por onde ando levo os meus painéis transportáveis de memórias
Em cada viveiro que passei trouxe uma cor diferente com cheiro de gente
Por onde passo, eu vejo tintas e tons largamente figurados em murais
O povo em geral é um verdadeiro triunfo das artes visuais
São como pinturas vibrantes combinando harmonicamente a decoração da diversidade
E em cada canto das cidades por onde andei, estarreceu-me do esplendor do mundo
Dos cantos e esconderijos choravam passarinhos...
Me passaram um sentido divino no chorinho cantado atrás das mesquitas
Estavam abandonados, coitados, caíram do ninho encantado de aconchego
Ah, a vida tem belas surpresas de realizações, trabalhos feitos, desejos sem preço...
E alguns pesadelos caros que nos despertam nas madrugadas sedentas
Ah, nossas lembranças são pequenas peças de um desenho mágico
É toda uma técnica numa só tela, às vezes parece abstrata, realista...
Mas reflete uma estética contrastante de percepção, emoções e ideias...
Que nos confunde, nos faz rodopiar, rodopiar... E naufragar num oceano de ilusões
Mas encontramos em algum lugar do pacífico, uma ilha da consciência cheia de arquiteturas
Modelamos um saber, um jeito mais pedagógico de enxergar...
É uma arte magnifica, iluminada, cheia de códigos morais, éticos, religiosos, políticos...
Nossa! Como somos complexos, patéticos, estereotipados... e tão poéticos!
Temos uma tal liberdade de visão individual do mundo e da vida
Que fazemos tantas indiferenças, tantas descrenças e criamos mais novas utopias
Mas no fundo somos uma plantação de gente
Que vira semente num cemitério de lembranças
Assombrados pelo Ceifador de Propósitos!
Acalentados pelo Jardineiro de Almas!
Passamos por tantas realidades em busca de exatidão nas formas de razão inventada
Vivemos de tudo um pouco e por incrível ironia, sentimos as mesmas coisas
Quanto mais alegrias, mas dores...
Quanto mais sonhos, mais pesadelos...
Quanto mais expansão, mais limites...
Quanto mais realidades, mais fantasias...
Quanto mais realizações, mais decepções...
Quanto mais certezas, mais dúvidas
Quanto mais amores, mais solidão...
Tudo compõe esse mosaico de sentidos e intensidades
A vida é a própria arte pela arte!
É tudo um mosaico! Nada mais que um mosaico!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Ensaio sobre “Como amar um poeta”


Ensaio sobre “Como amar um poeta”
(Por Jefferson Acácio)

I - Fazer poesia e viver poesia

Poeta não é apenas àquele que produz letras num papel
Mas que tem o dom de inflamar quem as leem
Este artista vive a poesia como uma alma vivente
Que o acompanha como uma extensão da sua alma
O coração do poeta é um portal para materializá-la

Tudo acontece entre os neurotransmissores do cérebro
e o bombeador da vida que parece explodir a cada batida
E quando se fala em emoção, é com ele mesmo
O artista explícito, transgressor, impulsivo e insolente
Não é um artista de textos ensaiados...
Mas de sentimentos expressados da forma que mais impacta
Pensamos que poeta são aqueles que escrevem e recitam
Mas há outros espécimes, que se perfumam de poesias

II - Ah, o poeta, poeta...

Coração de vulcão, boca de lâmina, olhar de águia cheia de volúpias
Com poesias fazem feitiços, declarações, injúrias, confissões
Com poesias criticam, condenam, amaldiçoam e preveem futuros
Mas também fantasiam, agraciam e encantam como os sonhos bons
E mesmo assim, o poeta deveria ser proibido de amar

Todo poeta nasce com essa predestinação, uma maldição se séculos
O poeta ama e é amado extasiadamente...
Porém estradas misteriosas habitam a alma apaixonada de um poeta
Porque é fácil amar um poeta – quem não gostaria, ora essa?
Mas retribuir e compreender a vastidão de um amor incompreensível?
Para quem não tem a percepção desse amor, não deve se entregar

O poeta é encantador e transforma cada momento em cinema!
Viver entre a ficção e a realidade nem sempre é agradável
É um mundo em que toleramos por alguns momentos
Quando apreciamos uma boa música, filme...
Mas não para participar dos segundos da sua vida,
Apesar de que a realidade está em terrível depreciação-indivisível de você!
Bom ou ruim – é a realidade!
E passar muito tempo na fantasia não é recomendado pelos psiquiatras
Vai dizer isso para ele... E em três dias estará vestido de branco
Com os braços cruzados tomando mais pílulas da realidade!

De fato, só loucos vivem entre a fantasia e a realidade,
De fato, só os híbridos vivem entre o inferno e o paraíso...
Poucos são os humanos híbridos que transitam entre os dois mundos
Porque faz parte de seu dom decifrar o que não se vê superficialmente.

Mais que duas horas num mundo paralelo é capaz de atordoar alguém
Ninguém quer enxergar o mundo da maneira que ele ê
Aceitar está de bom tamanho e embriagar-se de estilos de vida...
Moda... Pensamentos filosóficos pré-moldados... distrações...
No mundo real poesia é o cocho que fingimos não ver
Mas ele esta ali, mancando de uma perna com roupas de trapiche
E nós o observamos com a visão bilateral – de quem vê o certo e o errado

III – Poetas também se machucam!

Ficção da realidade... Realidade inventada
Amar um poeta é encontrar-se nesses dois mundos
Ele vê o mesmo que você, porém ele aponta
E o próximo apontado, poderá ser você também!
E quando isso acontecer, não é ele quem diz!
Não é nesse mundo que se rabiscam os seus pensamentos!

Amar um poeta requer a habilidade de perceber onde ele está!
E não se assuste se ele esteve com Nerfetite, ou em Esparta
E pode acreditar ele esteve lá com certeza,
E digo-lhes mais e reconhece o perfume e sabor da vinha e da oliveira

A quem acredita que os poetas são místicos
E que o tamanho da sua sabedoria reflete sua força
E pelo contrario, eles se destroem a cada poesia
Assim como o corpo de uma mulher não suporta muitos partos!
Assim como muitas decepções na vida, nos adoece pelos tempos!
O poeta tem tudo disso, e pior, em dobro!
Ora vejam, já não tem o livre arbítrio, pois as poesias os governam.
Boca, pele, olhos, olfato, paladar e o sexto sentido
Quando amam, as poesias intensificam os sentidos
Se odeiam algo, então as poesias não deixam nada escapar de sua lâmina!
Tudo no poeta tem o custo do que sente – o prazer regado ao castigo!
Para que ele tenha a percepção das duas coisas!
Como são doces e como amargam... Como curam e como ferem
É o seu estigma espiritual. E por isso, para o próprio bem do poeta...
Deveria ser proibido de amar!

IV – Quando o poeta ama...
A verdade é... Quem merece a cortesia de um poeta?
Um beijo é a chave para sonhos com dragões e castelos
Um gesto é como mil frases compiladas nos ensaios de shakespeare
Uma decepção é o épico das tragédias gregas
Um dia são eternidades sonhadas
Um desejo é engendrado, degustado e ganham as páginas do eterno
O corpo de um poeta é tão quente quanto os pensamentos
Quem teria coragem de se entregar à alguém
que se joga de um penhasco todos os dias?
Quem se ousaria a amar alguém
que se declara amante da poesia e das palavras
e ainda as chama de prostitutas das noites?

Quem se habilitaria a viver ao lado de alguém
que habita em lugar nenhum, pois sua morada
é entre a fantasia e a realidade?

O poeta te observa de um modo que te incomoda
Pesquisa sobre você na filosofia, psicologia...
Coleta cada movimento seu para eternizar tua personalidade
na transparência das escrituras...

Quem tem a coragem de dormir ao lado de alguém
que diz que as poesias são o exorcismo dos pensamentos contidos em sua alma!
O amor de um poeta é inalienável e indivisível de sua arte!
Amar um poeta é fazer viagens nos seus mundos paralelos.
Sim, ele não vive num só mundo, e sim, no limite dos contrastes

Um poeta precisa de oásis mágicos no deserto d’alma
Destruir o amor é roubar-lhes a conexão entre os mundos!
É confundi-lo de que deve afastar da poesia que o alimenta
É fazê-lo provar do gosto azedo da vida-real.
É desmanchar seus castelos e entregá-los aos dragões!


sexta-feira, 8 de março de 2013

ÀS NOSSAS HEROÍNAS!!!

ÀS NOSSAS HEROÍNAS!!! FELICIDADES DO SOL PARA TODAS AS MULHERES!!


Quando você acordou, tomou consciência de que hoje é o seu dia? É o dia internacional da mulher! E mais que um dia mundial, reconhecemos em suas majestades de que hoje é o dia orbital solar da mulher! Por isso, recebam esse dia com a alegria, a força e a graça com a qual vocês inspiram a Terra a ser o mais belo entre os outros planetas!

Hoje estou confuso, se é o Dia Internacional da Mulher ou o Dia Internacional do Cavalheirismo! Homens levantem-se, mova-se, se inspirem nessas heroínas que geraram você e façam desse dia o mais especial de todos para elas! Para mim, todas são heroínas gregas, as musas inspiradoras dotadas de autodomínio, vitalidade e independência.  A mulher é, incontestavelmente, entre todas as criaturas (humana, animal ou mitológica), o ser de maior lirismo e poder!

Referências para comprovar isso, nem precisa! Olhe ao seu redor, como, apesar de tantas lutas humanas de cada-dia, elas ainda conseguem ser graciosas. Nossa, elas SORRIAM!! Sabe o poder que se manifesta num SORRISO? Sinceramente, não encontro uma marca de expressão de sofrimento, e sabemos o quanto sofreram e o quanto ainda há. E mesmo assim, observe tua mãe, como é preciosa e vital que parece ainda mantê-lo no próprio ventre, vivendo ainda as dores do parto! Não é toa que são inteiramente conectadas à Natureza!

Nomes não faltam, Marias, Madalenas, Helenas de Tróia, Nefertiti, Joana D’Arc, Ana Pimentel, Dandara, Chica da Silva, Maria Quitéria, Ana Néri, Anita Garibaldi, Princesa Isabel, Chiquinha Gonzaga, Tarsila de Amaral, Patrícia “Pagu” Galvão, Irmã Dulce, Eva Péron, Maria da Penha...e milhares de outras, professoras, advogadas, donas do lar, diaristas, motoristas, lutadoras, secretarias, politicas, etc. Todas elas mudam as vidas dos Homens, a cada dia, revitalizando-nos com o seu poder, inteligência e força interna! Enriquecendo a existência com sua graça!

MULHERES - Hoje a Terra faz movimentos de translação em sua volta!  Você é o centro gravitacional  que exerce forte influência em tudo o que te cerca!

Parabéns pelo seu dia no universo!
 
Pois até no Sistema Solar, vocês são ESTRELAS!!
 
 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Poeta das Cinzas


Poeta das Cinzas (Por Jefferson Acácio)



Há quem diz que o poeta é uma ave lendária
Embora incendiado em autocombustão,
Renasce das próprias cinzas
Com a força da sua poesia é reerguido!



A poesia é o seu bestiário iluminado
Onde todos os seres reais e fabulosos ganham vida
No mundo paralelo da imaginação
Entre a realidade, o supra-real – nenhuma ilusão!

A poesia é sua pira funerária da imortalidade
Como a fênix em seu dramático ninho de fogo
E fantástico renascimento espiritual...
No virtuoso paraíso dos pensamentos - Está acima da extinção e do casual!

O mundo real foi coberto pela doença capitalista
Capitalizou almas, escureceu sonhos, destruiu a verdade
Subordinaram à existência comprada.
Mataram um poeta dando-lhe distração e penalidade!

Agora o poeta conhece os vermes da putrefação
Assim como você reconhece a morte através do outro que se foi.
Ou quando se desvia do animal em decomposição
Sabe o quanto a morte o incomoda, por isso faz oração!

Um médico legista pode explicar
Em sua percepção da necropsia
Ao dedilhar os órgãos apodrecidos de um cadáver
Um homem padeceu... Quanta apavoração! Quanta maldade!

O corpo consume-se pelas bactérias anaeróbicas
Máscaras os protegem do odor pútrido de suas excreções
O corpo examinado, encontrado numa casa abandonada, é identificado
É o poeta das cinzas, e fotógrafos imortalizam a matéria incinerada!

Há quem diz que a abstinência da poesia causa crises convulsivas
Mas no meu caso, me transformei em fogo - hiperatividade de pensamentos!
Por longos anos os monstros do capitalismo roubaram minha inspiração
Algemas invisíveis impediram-me da escrita e cegaram minha convicção!

Escravizado pela realidade pré-fabricada
Castigado e reprimido pelas horas não-vividas
Prostituindo seu talento por poucos trocados num semáforo!
Perdido no corredor do stress – facção terrorista que molesta toda a humanidade!

O poeta deixou de escrever porque se informatizou
O poeta deixou de ser porque seu coração robotizou
O poeta deixou de viver porque o caos o aprisionou
O poeta deixou de amar, porque não se amou!

Então o sangue do poeta ferveu, inflamou correndo pelas veias
A pele quente expeliu chamas ardentes!
A queimadura aumentava sem que pudesse amenizar a dor
O coração feito brasa, ainda bateu agonizado – sangrou!

Somos produtos da dor – de um corpo cortado nascemos
Bisturis, curetas, agulhas, tesouras – somos torturados para nascer
Depois que o procedimento cirúrgico nos liberta, ainda tem a dor do viver!
E depois que morremos, ainda causamos dor aos que vivem!

O poeta nasce, cresce, reproduz poesia e morre
O poeta se cala, mas seus pensamentos deitam-se consigo.
O poeta não escapa da morte, porque é ritual de passagem
A morte é um xamã que alivia cafaléias e traumas!

Há quem diz que o poeta é apenas uma passagem...
Um portal por onde as poesias fazem conversas entre mundos.
Há quem diz que a poesia só existe quando o poeta sangra
A poesia só se eterniza quando o poeta morre!

Depois que se acabou ainda não se acabou...
Metabolização... Identificação... Notícia... Velório...
Quarta-feira de fevereiro, desmancho no deserto pueril das almas...
Espalham ao sopro sutil do vento – as cinzas de um poeta!







segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

POR SANTA MARIA



POR SANTA MARIA - 


O mundo grita socorro...

E nós ainda vivemos...
Famílias inteiras são destruídas feito palha numa floresta incendiada...
E nós ainda vivemos...
Sonhos são apagados com a força de uma fumaça...
E nós ainda vivemos...

Para que tanta pressa por riquezas, se a vida e o amor são os maiores tesouros? Para que tanta pressa, ganhar dinheiro a qualquer custo? Do que adianta ficar rico quando o que você constrói coloca a vida de outras pessoas em risco? Seria muito ter evitado tantas mortes, ou é pouco 245 pessoas pagarem com a própria vida para os homens perceberem o que fazem por dinheiro?


E nós ainda vivemos todo dia uma dor comum, causada por fatores diferentes e o homem ainda não aprende com o que faz...E nós ainda vivemos para ver esse mundo se destruindo numa guerra invisível em que a arma letal é a ignorância e a tática de guerra é a falta de amor aos outros...


Nossa estigma de sobrevivência à toda loucura do mundo, é fingir que está tudo bem. E fingindo nos tornamos tão superficiais que nossa alma se torna opaca, intransponível. Falta segurança no mundo que vivemos...


Para ter diversão precisa de SEGURANÇA. Para fazer sexo precisa de segurança. Para atravessar uma rua precisa verificar se está com segurança. Para construir uma família precisa sentir-se com segurança. Para passar no vestibular precisa de segurança. E para ter SEGURANÇA, só com DEUS. Pois na terra nada esta seguro!


É por isso, que viver é um desafio. Outros se ajoelham, outros levantam as mãos, bebem água da fonte purificadora, umedece a testa com óleo das bençãos, rezam "Santa Maria, rogai por nós". Outros fazem jejum, fazem uma prece, se exilam, se castigam. Outros se calam, alguns de cortam. Outros fazem encontro com a natureza. Uns tocam tambores, tocam trombetas, acendem velas, chamar por espíritos.....Sabe.. A gente tenta de tudo e muitas vezes não conseguimos nada... E só vivemos. Só vivemos.


Mas existe um canal de comunicação com Deus, que é tão simples. Mas parece que sistemas simples são complicados para nós. Gostamos dos mais modernos e complexos. Para acessar o canal "Fale com Deus" é oração. É o que podemos fazer agora, pelas famílias de Santa Maria, e pelas famílias destruídas por todo esse mundo...Chega de espalhar intolerância, moralismos religiosos e xenofobia. Silêncio e oração é só isso que podemos fazer. Oração! Porque a diferença de quem está vivo e quem se foi, é um dia a mais na Terra. 


Oremos, então, ao invés de potencializar nossa raiva, nosso ódio, nossa indignação, ao invés de lavar nossas lágrimas no sangue, e às vezes brigando por causas que nós mesmos não temos conhecimento delas, pois temos olhos cegos...


ao espalhar intolerância e moralismo religiosos e xenofobia.


Oremos: Senhor, piedade. Senhor, alivie a dor. Senhor, segurai nossas mãos, não sabemos andar. Senhor, nos dê força. Acenda nossa fé, protegei nossos irmãos. Senhor, PAZ!


Escritor: Jefferson Acácio http://www.facebook.com/jeffcruzlima

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

AUTOPSIA DO DOUTOR


AUTOPSIA DO DOUTOR (Por Jefferson Acácio)



Percebi afinal que aquela pele, interconectada por tubos a aparelhos, estava desabitada.
É estranho e poético quando fazemos nossa passagem da vida para a morte
Toda nossa realidade torna-se meramente experimental, sem destino aparente.
Para mim foi como se eu fosse feito de água
Ou como se estivesse anestesiado por endógenos de beta-endorfina
Não havia mais dor, agonia, medo, e nenhuma outra forma de caos.
Pelo contrário, eu mergulhei e emergi envolvido por um relaxamento incomparável
Me senti navegando entre paisagens de lembranças vividas
Como se pudesse ter a chance de retocá-la com pincel em aquarela
E antes que eu percebesse o tempo desse passeio de saudades...
Outra sensação de consciência elevada me prestava em clarividência
Uma retroavaliação que varreu dos meus pés à cabeça
E por todos os órgãos do meu soma.
Pude sentir hiperbolicamente minha batida cardíaca
Senti o que é um coração bater de verdade, sem metáforas.
E ainda sem estetoscópio, tive a certeza de 220 batimentos por minuto
Era bem diferente que um exame médico, a qual minha profissão fora.
Muito mais sofisticado e sensorial, afinal eu navegava dentro de mim
Por entre uma rede de fibras neurotransmissoras. Inacreditável não é?
As moléculas de serotonina, acetilcolina e dopamina eram amigas de bordo
Continuei ao passeio de aprendizagem pelo roteiro de experiências
Parecia transportado à minha áurea juventude desperdiçada
Havia excesso da motivação do viver.
E embora separado da carne, fui permitido ainda a sentir
a vibração imensurável de prazeres e outros efeitos adrenérgicos
Tudo através da memória, tão vivas, que a sensação era de realidade palpável.
Compostos voláteis eram percebidos novamente via retronasal
Minha língua térmica e táctil reconstruíam o processo de degustação dos vinhos
Os sabores e aromas mais exóticos repetiam a saciedade para as mucosas olfativa e salival
Os beijos também reacendiam clareiras em minha memória e liberavam mais adrenalina
Estive em níveis tão ativamente catabolizados que...
A minha morte poderia ter sido causa imediata de cardiopatia hipertensiva
Mas infelizmente não se morre duas vezes, pois seria uma maravilha
Voltar a essa sensação sinestésica de morrer tão vivo de viver,
refazer essa passagem fantástica, como em “A viagem ao centro da terra”.
Mas por outro lado, vibrações desagradáveis também vieram velejar no barco
O gosto da desaprovação, da negação, e do ressentimento estavam à bordo do velho marujo
Todo segredo, toda verdade, todo mistério estavam impudicamente expostos.
E nada podia ser refeito em favor do meu protesto de correção
Ações e reações, atitudes e pensamentos, escolhas e consequências...
Estavam ali diante de mim, ao alcance das minhas mãos,
mas nem um risco poderia ser modificado.
Senhor, de qual terá sido a autopsia da minha fajuta forma de viver?
De que padeceu aquela matéria cujo habitei?
Qual a avaliação final do meu registro?
Quero esclarecer até que ponto pude ter provocado
as circunstâncias que resultaram na minha morte.
Quero diminuir o risco de acusações injustas com outras pessoas
Choque hipovolêmico, Diabetes, Cardiopatia chagásica, Traumatismo,
Parada cardiorrespiratória, Falência múltipla dos órgãos?
Em resposta, os anjos enviaram mais arquivos de imagens do meu histórico.
Em instantes, pude tomar conhecimento do laudo certo:
Eu fui um ser humano estúpido - solitário por livre e espontânea escolha.
Pus âncoras naquele navio chamado coração
Naveguei por mares sem margens, por ondas de ilusão.
Até os animais estavam na primeira categoria do afeto, e eu? Zero a Zero
Ainda na pré-condição de inviolável, e de autentica liberdade em si e por si.
Continuei inconsequente, intolerante, ignorante, intransigente, amargo e cadavérico
Pudera eu reparar estes e muitos outros itens do meu jeito de “ser e pensar”
Que tanto eu defendia, e ficava no alto inalcançável da “Estupidez”
– Essa é causa da minha morte, presente na autopsia!
A estupidez me levou ao isolamento, que me enclausurou na escura depressão.
Ato implícito de suicídio. Quanto arrependimento!
E daqui de onde estou assistimos os episódios dos que se dizem “vivos”.
Chega ser humilhante para a condição humana, o modo que se vive.
Daqui, vemos como o mundo se tornou um parque humano de superficialidades.
Logo, não fui o único estupido na terra. Existem outras perspicácias por aí.
Vemos como a vida foi se tornando um modo de viver banalizado,
Um verdadeiro espetáculo de mediocridade,
Um extremo horror de obscenidade, pornografia, orgia, e impudor.
É o cúmulo da degradada existência. Não há nada mais para se ver.
Os vivos parecem se obrigar de viver numa irônica ilusão simbólica de realidades
O mundo está fedendo a sexo por cumprimento de protocolo
O homem sem escrúpulos, sem qualidade, sem amor, esta beatificado
Está um território de seres humanos biologicamente modificados, zumbis!
Não foi essa a criação divina, não foi esse o plano redigido das Alturas.
A violência, a promiscuidade e a falta de amor viraram esquemas de viver habitual
Estão caminhando em passos ligeiros para uma extinção da espécie.
Depois que morremos, nossos impulsos são irrepetíveis
como nossa própria identidade celular e espiritual é.
Tudo o que fizemos e pensamos fez parte de um filme finalizado, cujo nós somos os autores
Com múltiplas participações de autores, co-diretores, figurantes...
Podemos até re-assistir, retroceder as cenas mais marcantes, mas não mudamos o roteiro
Nossa chance fora de quando the belle film estava em edição, em curso do existir
Ninguém parou para se dar conta disso, e depois que morremos somente nos resta consentir.
Achei até que minha alma anarquista finalmente havia encontrado em si a liberdade
Logo verifiquei a existência de Soberania sobre meu expectroplasma
Em outras palavras, outro filme havia iniciado, desta vez sob o comando do Autor (não eu).
Isso que chamamos de “morte” é arte da transcendência e imanência
Morrer foi mais ou menos assim como no processo de sublimação da água
Engraçado dizer, mas estou claro de que simplesmente “vaporizei”.
Despi-me da pele que vestia os órgãos e o corpo, imperceptivelmente
Foi como uma retaliação humana, sem corte, sem foice...
Foi nesse despir-se que começaram os desbloqueios da matéria
Nesse momento, os gráficos do aparelho hospitalar
Estabilizaram, conforme representado por um risco vermelho que corria sem fim.
Emitindo aquele som agudo, contínuo e agoniante.
Do outro lado, gradualmente foi aumentado o fluxo de energia em alta velocidade.
Expandindo, ao máximo, um volume de força, por dentro e por fora do meu soma.
E tão logo senti perfeitamente a ocorrência do estado de aura, completamente acesa.
Agora sou um espectro de luz, sem rupturas, de écran multicolor.
A chance que tive de me tornar espectador de mim mesmo, em retrospectiva,
Era apenas um prognóstico para apreciação e conferência de dados.
Era apenas a leitura de um livro que revela a vida crua.
Fiz uma leitura imersiva de todas as páginas do filme-vida
que produzi desde a formação biológica de cada órgão...
E após todo o diagnóstico conferido e analisado, tive ainda o privilégio
De assistir de camarote o último instante e a última palavra proferida na despedida.
Eu repeti um trecho de Carlos Drummond de Andrade,
Cujo Doutor relata o laudo de um garoto à uma mãe preocupada
com a incapacidade de seu filho de ser verdadeiro.
Diversas vezes era surpreendida com histórias mentirosas.
Mas não passava de elemento figurativo da  imaginação e fantasia
Não compreendido, foi encaminhado ao médico Dr. Epaminondas
O Doutor após ouvir as mirabolantes histórias do garoto
“...abanou a cabeça: - Nada a fazer dona, esse menino é um caso de poesia”.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ciranda das folhas


 (Por Jefferson Acácio)

Debaixo de uma árvore frondosa assisto a ciranda das folhas
Num belo ensaio poético dirigido pelo vento
Meu pensamento é a rosa-dos-ventos que delineia o mundo em quadrantes
Meus pés são bússolas que apontam o caminho sem mapa cartográfico
Meu coração é o centro de gravidade que situam onde devo olhar
E olho para a arvore frondosa com suas folhas num movimento perfeito
Nesse instante o mundo está cheio de exatidão que me surpreendo
Respiro profundamente e meu pulmão refrigera e acalenta sentidos adormecidos
O viver se revigora, o passado rejuvenesce e o instante transcende às horas
E os pássaros da frondosa arvore concebem um coro sem desalinhar da ciranda
As folhas se alegram e as borboletas agrupam-se em multicores
Ficam mais cheias de “viver” aos raios do sol.
Mas, logo depois de algumas horas fugidas do relógio
Atino-me para a vida de horários marcados
Que fazem fugir do ponteiro do mundo a exatidão
No meio aos pensamentos encontro um rosa-dos-ventos desalinhada
Os pés cansados de um caminhar que nunca chega a lugar algum
O viver se distancia do ser, o passado é mera lembrança e o instante se evapora.
Meu coração continua um centro de gravidade
Porém, diante da quadrante do mundo desregulado
Onde cada ser entoa qualquer grunhido sem ensaio e sem direção
Meu coração aponta que devo olhar para dentro
E dentro de mim ainda resta um espaço vago entre um pensamento e outro
Que por substancial segundos consigo tocar as borboletas com a ponta dos dedos
Elas dançam graciosas com colorido “viver”
E embora interrompido pelo som desafinado do mundo frenético
Sei que elas dançam a ciranda das folhas
Respiro profundamente como se quisesse inspirar todo o abstrato externo
Trazê-lo para dentro de mim e por esperançosos segundos de oxigenação
Expirasse-o em nova forma logo impressas num belo poema
Mas duram por poucos segundos, e as letras amargam da boca
Logo são abortadas ainda em formação num papel rascunho
E amarrotadas são entregues ao destino do descarte
É nesta mesma condição que nos encontramos: o escritor e as palavras...
Espremidos num pedaço de folha chamado de vida
Sonhando acordar debaixo daquela arvore, ao som da ciranda das folhas

ACOSTUMADOS ÀS SOMBRAS




 (Por Jefferson Acácio)

Aquecidos por um cobertor de sombras, dormimos e acordamos
Um belo tecido de um material pré-fabricado
Bem arranjado em unidades coesas e justapostas vive
É o tecido epitelial que cobre nossas feiuras
E expõe os pelos de animais sedentos por vergonhas
A vergonha não mais habita em nossa pele, não porque fomos perdoados
Pecado e alma parecem indissociáveis e consumam a carne por constrição
A boca parece cúmplice das nojeiras praticadas pela nossa raça. Humana?
A boca suja profana a mentira e modela uma aparência dissimulada
A mentira delicada costura um manto em forma de terceira pele.
Vestimos a pele de múltiplas aparências.
Não sei... Sou o poeta das asneiras convivendo com essa língua fulgaz?
Ou estou com sintomas de desvio da personalidade?
Não me sinto parte do todo, vezes nem mesmo me sinto parte de mim.
Sinto meus dedos tocarem as paredes de morfo na cidade morta
Sinto meus pés descalços escorregadios na lama alojada nos asfaltos
Mas não me sinto contido. Faltam mais exílios no mundo para convívio com a luz!
Sei que por volta há sombras espreitando meu despertar.
Sombras vivas espalham a penumbra como um vírus alastrador.
E por ironia, não percebo pessoas assoladas, pelo contrário...
Há em todo canto pessoas acostumadas
Ou o leitor esperava uma narração de filme de terror?
Quimera que a dor estivesse exposta para um melhor prognóstico
Mas as dores estão escondidas ou o prazer se confunde com a dor
O que vejo exposto é um sorriso vagabundo de viver
Escondem as marcas debaixo de maquiagens e plásticas?
São chagas invisíveis ou não existem?
Por linhas certas não sei dizer
Mas tenho pressa em estancar os pensamentos fugazes. Sangram em minha mente!
Quase não encontro sinais de clemência nessa terra.
Até os pedidos de misericórdia parecem encenados
Para não vulgarizar ainda mais o estranho acomodamento
Prefiro aceitar minha condição como um desalinhado no espaço
Cujo diagnóstico acusa-me de “poeta das asneiras”!
Estupidamente, eu me denuncio como um limítrofe, extremista e caótico poeta
Se ao meu redor há um mundo regulado, então sou eu o desregulado
Sou eu quem não se acostumou e quem despersonaliza a realidade
Baseado em pensamentos transtornados, caso clínico de borderline
Fora da realidade, me vejo com olhos de relâmpagos incandescentes
Enxergo a realidade desfigurada de indecências
Meu epitélio conjuntivo repele-se de pavor
Um formigamento perturba a minha matéria viva repugnada
Expulsei de mim o prisma da convenção social para resolver problemas de astigmatismo
E como castigo contrai a síndrome da verdade perturbadora.
Assim, por entre as sombras caminho desolado pela cidade
Doente das ideias, não denuncio com alto-falantes, pois uso as palavras quietas
Que saem quase silenciosas senão fosse o barulho dos dígitos no teclado
Balbuciadas entre os lábios febris sentem vontade de gritar
Nas calçadas, respeito às sinalizações para não sofrer acusações de indeliquência
Mas incontrolavelmente atropelo-me entre as palavras desconchavas
Porque estou sempre atento farejando por elementos de estudos
E encontro, afinal, numa esquina, mortas-vivas fitando o céu em plena sombra do dia
Parecem que os olhos esperam um milagre do alto.
Mas o próprio céu inconformado suplica por azul e procura na terra a pintura alternativa.
Solidárias as árvores sacodem para emprestar o resto do seu verde
As nuvens se esforçam com os mares para misturarem na paleta e colorir novo planeta
E por todo canto nenhum pintor de mãos limpas para retratar e retratar-se com o mundo
Das galerias da cidade, somente sombras que diminuem as horas do dia
A cor vermelha ainda sobra e irrita com sua alegria pela reprodução
Com suas “crias” descalças na dura lição de viver na penumbra
Aprendendo a acostumar-se com as sombras desde cedo
E eu, aprendendo a acostumar-se com os acostumados.
Constante alergia!

Guerreiro imbatível



A iniciação de um guerreiro imbatível não esta suplantada na beleza da vitória, mas na qualidade de seus pensamentos ao lidar com as suas lições e com o poder de decidir o que deseja como meta de vida. Ser lutador é uma condição humana, porém ser imbatível é virtude dos que agem com a cabeça de leão! (Jefferson Acácio)

Faça você mesmo



Olho pro alto, sem céu, rogo por sinal. Suplico ao externo - "Seja mais generoso comigo. Seja todos os dias mais generoso comigo. Seja generoso! Eu mereço, seja! Seja!". Inutilmente, de cima nada, de fora nada. Por seguinte, comunico ao interno - "Faça alguma coisa!".

PERVERTIDO



(Por Jefferson Acácio)

Estava vagando entre os becos e vegetando o prazer da escrita
Fugia do turbilhão de pensamentos amamentados na minha mente
Chamam-me de poeta da modernidade e nada sou que um pervertido
Não pervertido por natureza, mas me pervertem como sexo insaciável
São as críticas bastardas sugando minha calma
Elas exibem os dentes afiados, o olhar vulcânico e lançam chamas em mim
Desfraldadas e desnudas me atiçam o fogo da inquietação
Vagando feito os moribundos e condenados não consigo sorrir
Ao meu redor tudo tem cheiro de enojar, cheiro de podridão
Em cima e em baixo não escondem a vergonha
Encenam um espetáculo de mentiras, aparências e superficialidades
Corruptos, dissimulados e imbecis, há de todas as idades
São um prato cheia para a critica parasita que os espreita através de mim
E, no entanto, eu quem sou o pervertido que trepa com as palavras
Sou governado por pensamentos de interpretação e julgamentos
O suor visguento de tesão pelas injúrias e infâmias escorre em minha carne
E me causam um prazer inefável que realizo sozinho como uma masturbação
Somente eu e os pensamentos, fazemos orgia com as letras frementes
Enquanto que assistimos ao pornô violento vociferado pela sociedade mórbida
Orgasmos infinitos incontroláveis, hiperbolicamente pujantes, berram ao meu ouvido
As críticas invadem meu interior, transcorrem pelo sistema nervoso, veias e vísceras
Como um besouro que cava a terra em busca de alimento
Encontram-se na minha alma um alojamento para fecundações de suas larvas
Desrespeitam-se como um protozoário invasor que me faz de hospedeiro
Pensamentos parasitas se alimentam de mim e provocam o prazer de reproduzir
Ao chegar em casa, cansado das perturbações e suado do gozo de pensar
Abraço-me ao lençol, e embrulho a cabeça fervendo do verbo escaldante
Os pensamentos já fecundados, crescidos e maduros visceralmente urgem por luz
Querem parir de minhas entranhas, querem vingar o ventre, gulosos por vida
Querem existir fora de mim para se libertar e profanar o mundo afora
Tem vida própria, são aventureiros por leituras e querem correr por aí
Em busca hospedeiros de corpo aberto para possuírem, rumo a novos destinos
Meu estomago dói, as mãos trêmulas, sede, calor...
As paredes tremem, racham-se e contraem os alicerces
A porta gemi roçando o chão e os lençóis testemunham amarrotados a minha inquietação
As paredes frias pegam fogo, o sémen jorra e inunda o quarto
O teto racha e entra uma névoa de uma noite iluminada somente por estrelas
As paredes fofocam, o chão confessa, a porta expulsa
Senhor, isto é uma agressão a minha alma!
Aperto firme o travesseiro, desnudo arranho a pele contraindo-se de dor
Até que os parasitas rasgam desesperadamente o meu íntimo, sem nenhuma paciência
Provocam a dor da geração deixando em mim esse vazio de quem fora meramente usado
Assim nascem todos os dias as poesias bastardas que ao mundo pertencem
Seguem o fluxo natural de sua várzea existencial.
Do mundo vieram e ao mundo retornam!
Somos cativados para cativar,
Atraído para atrair,
Invadidos para invadir,
Possuídos para possuir,
Fecundados para fecundar,
Governados para continuar governados
Não sou poeta, sou um pervertido involuntariamente governado pelos pensamentos parasitas.

NOITE DE ONTEM



 (Por Jefferson Acácio)

Vou mergulhar num amor
cujas águas não me afoguem de mágoas
Um amor que não me cause medo
de ir o mais profundo sem os riscos do desconhecido
pois as águas são cristalinas e mansas
E onde somente os corais são surpresas
Sei que existe um rio que se confunde com um Oasis
que eu não precise de bote ou colete salva vidas
onde eu possa me banhar como uma criança
Onde ao seu redor as flores são beijadas por um colibri
Amores superficiais não são convidativos
pois não costumo preferir um barco ou um remo
para navegar somente nas superfícies
as maravilhas de um amor verdadeiro estão escondidas no mergulho
Águas frias não me interessam, e amores de ilusão não me interessam
Conheço bem o que é ser devastado por uma enchente de emoções.
Emoções de sobrevivência, em busca de qualquer algo
que possamos nos segurar para não ser carregado feito nada
As vezes eu me pergunto, senhor... Onde está esse tipo amor...
que não parece pertencer a esse mundo?
E ele não me responde, simplesmente, porque
somente ele é esse amor.
Enquanto ele estiver dormindo, as noites de ontem serão sempre de tempestades
O amor que há na terra é somente uma representação figurada
que só consegue ser um pouco mais real quando abençoada por Jesus
Aquele que amansa as águas!

Dama da Noite



(Por Jefferson Acácio)

Sabe uma das coisas no mundo das criações de Deus que mais admiro? A lua! Sinto um alivio no peito como estivesse preenchido daquela luz que ela reflete. E quer saber, não me admiro o fato de que o homem tenha explorado a Lua, pois me contento daqui da Terra e me sinto mais próximo do que astronautas que a visitaram. Ao contrário, a lua a que me visita todas
 as noites do alto da minha janela e me faz dormir após assistir seu espetáculo da rotação iluminando meu quarto por inteiro! Parece tão perto, tão intima de mim, como se estivesse espreitando meus passos, e sondando meus pensamentos, clareando-os. Não me enche os olhos imaginar como é caminhar pela lua. Recuso-me a ser igual aos demais habitantes da terra azul. Seu contentamento está em explorar as obras do Criador, por não alcançarem a glória Desse Arquiteto. E então, enjoam, então partem para outros planetas do sistema solar, marte, júpiter... Para mim, é suficiente, estar deitado na minha cama olhando a lua e as estrelas fazendo festa no céu. A lua se transfigura para mim como algo sobrenatural e poético. Foi projetada para não deixar nossas noites escuras, pois nossas fontes de energia não dão conta. Mares e florestas não deixam de estar refletidos dela. E o mar? A combinação mais perfeita que existe com a Lua. O mar como espelho da Dama da Noite. Parece uma mãe do alto a nos observar. Às vezes passamos com um olhar tão ligeiro que não percebemos a magnitude dela. Alguns chamam essa contemplação de cafonice! Que seja então a cafonice, assim como o amor o é, assim como uma cena em que um casal se beija enquanto que uma luz do sol ou da lua banham seus corpos como se fosse uma permissão divina, puro clichê. Tudo o que é puro causa náuseas aos que trancaram o coração numa sela. Eu fico com a Dama dos Clichês, com a beleza da Lua a me cobrir com seu véu de luz!

Ter coração é nobre



Ter coração é nobre! E ter um coração apaixonado é o mesmo que dizer EXISTO!

Por Jefferson Acácio

ESSE É O DIA COMO É FEITO



Por Jefferson Acácio

acordar 7h00 celular furtado carteira furtada pressa corre carro chegada no trabalho 8h00 conversa facebook email email atendimento no balcão 9h00 videos do youtube riso boletim de ocorrência online upload email planilha facebook planilha upload telefone telefone tum tum noticias 11h planilha photoshop faz isso designer email negociação telefone email contato pessoal kk
k telefone facebook 13h45 almoço sorriso conversa texto faz aquilo agua atendimento planilha planilha kkk planilha imprimir conversa 15h video youtube risos balcão kkk faz isso texto photoshop 16h tum tum designer noticias conversa banheiro negociação telefone upload facebook pesquisa publicação dores nas costas anotar agua loading imprimir loading tum tum fabebook vista cansada 19h finished email faz aquilo conversa kkk noticias email facebook tum tum vista cansada faz isso tentativa de cancelamento tim mae ao telefone faz isso anotar tum tum ideia planilha imprimir negociação telefone pesquisa digitalizar conversa planilha kkk digitalizar contato pessoalt um tum telefone noticias irma ao telefone nota fiscal conversa fiscal contato pessoal 20h telefone dores nas costas forte tum tum fiscal digitalizar faz isso pesquisa email email tio ao telefone kkk caminhada de 5m conversa email email facebook email vistas cansada dores nas costas dores nos punhos pernas cansadas amigo ao telefone ..às 21h musica e email email facebook SAIR às 22h...email email calma calma fechar bora dinhu ou vai morar aí diz um amigo assim é musica de 7h00 as 22h00 e no peito bate tum tum tum sofa televisao banho televisao comer televisao escovar os dentes televisao telefone pessoal DORMIR funções organicas ligando em capacidade maxima às 1h30

Crise na Bahia (Fevereiro 2012)



Por Jefferson Acácio

A população precisa entender que a Bahia, e principalmente a capital, está em pé de guerra e pode ficar ainda pior se o JW ou outro secretário, o novo ministro das cidades Aguinelo Ribeiro, ou ministro de segurança.. alguem deve aumentar o salario dos policiais, que são pessimamente remunerados, são pais de família. E lastimávelmente é dessa forma que eles reivindicam usando a tática de fazer a paralisação próximo do evento mais importante do Estado, o Carnaval. Eles foram na ferida e não vão dar o braço a torcer e baixar a cabeça para o Governo. A Força Nacional não tem o preparo de rua que esses policiais tem. A policia sabe cada lugar, cada formigueiro de bandidos da cidade, e numa situação vulnerável como essa, a Força Nacional fica em desvantagem. Bandidos são ratos astutos e não tem morte, bala, nada. Ratos! A Força Nacional não vai pacificar! Isso só vai parar quando a população também erguer o braço e reivindicar, pressionar as autoridades certas para resolver isso! Eu fico indignado com isso!!"
Guerra!! Está a realidade que construimos para Salvador, para a Bahia!! Nós instauramos a guerra a partir daquele breve segundo que apertamos o verde de confirma, o verde da bomba que desencadeou todo esse processo. Apertamos o verde da bomba e do "que venha o pior" Pior que está não fica? Fica!!! Olhem pelas janelas? Greves de reivindicação de ajustes saláriais e direitos do trabalhador acontecem o tempo todo, bancos, motoristas, policiais, servidor publico... Inclusive todo ano policiais e nosso querido governador batem de testa com essa pendência que sempre deixam pra resolver no dia do Juízo Final! Não se trata de um fim do mundo, o mundo sempre foi assim!!! Mas o que me intristece é que a população, principalmente de alguns países, como a nossa pátria amada, e espeficicamente em alguns estados, como nossa querida Bahia, a população parece ter tomado a pilula do "ser leigo"... Agora olhem pelas janelas, isso é culpa nossa, sabiam? JW diz PMs usam metodos condenáveis.. Sim ,verdade, fico triste também, olhe mais que lindo ele acha tão condenável, que todo ano permite que isso aconteça. Infelizmente, nossa cultura é fazer barraco, derramar sangue de inocentes, até que as autoridades tenham peninha da gente que contraditoriamente os elegemos!!! Inocentes vão continuar morrendo, como forma de sacrifício que deveria nos envergonhar e causar impulso de saber se unir, impressionar.. mas não.. agora já é tarde, não se chora pelo leite derramado, agora é fechar AS PORTAS E SE AJOELHAR! CRUZAR OS BRAÇOS JÁ FIZEMOS TODOS OS DIAS! O sangue derramado lá fora tem nossa culpa social por não se articular antes do pior acontecer!! Sangue em nossas mãos! Em nossa consciencia! E acham que ricos estão morrendo? Não! E de fato, não é uma questão de matar rico ou pobre, bandidos não olham pra isso, mas por acaso que anda nas ruas expostos ao perigo são os trabalhadores, pessoas de poucos bens materiais, sem renda suficiente para promover uma melhor segurança privada a sua familia. E são esses os cruficados em nome de nossa "ignorância"!! Inocentes morrem para meter o dedo na ferida, para chocar, e para os bandidos "essas mortes são de inteira responsabilidade do Estado". Eles se dizem "lavar as mãos"! E os ricos, que também merecem a vida igualmente, estão em carros blindados, em seus apartamentos e condominios seguros e trabalhando em casa. E outra parte da sociedade, evidenciam o contraste com o próprio sangue!!!!!! SANGUE!!

Residentes e Resistentes entre a espada e a navalha!

 Versão de ficção científica da Crise em Salvador em 04 de fevereiro de 2012 - Por Jefferson Acácio


Final de tarde de quinta-feira, uma jovem caminhava pelas ruas da Avenida Sete da cidade de Salvador, capital baiana, voltava de uma clinica do bairro adjacente de Tororó. Estava contente com o anunciado do médico “o bebê está bem”. A jovem é uma camelô de 23 anos, trabalha na Praça da Piedade, moradora da favela do Unhão, na rua do contorno, próximo ao bairro Dois de Julho.
Próximo dali, uma coisa terrível se alastrava de forma obscura e silenciosa. Dos esgotos da cidade, da podridão subterrânea de Salvador, saiam sujos e torpes uma espécie de humanos com expressão de animais, canibalescas, bichos grotescos... Zumbis. De toda parte, os mais variados instintos sanguinários, com dentes e garras afiadas, surgiam das penumbras. Com caras de famintos, começaram agindo nos becos e proximidades de suas colmeias escondidas no coração da cidade. Fediam “mortos”, a pele acinzentada, ressecada, e um olhar assustadoramente fulminante.

Alice, a jovem gravida, ainda não sabia o que estava se passando, quando chegou ao Dois de Julho, vazio. De longe, alguns gritos partiam de lugares distintos. No caminho, observou algumas poucas pessoas correndo pra suas casas, e então acelerou os passos e nada mais pensava, apenas no bebê. Ao chegar ao seu humilde recinto, ligou de imediato a TV.

Não muito longe de sua casa, dois supostos assassinatos haviam sido confirmados e relatórios informavam investigações de possíveis crimes recentes. Em seguida, o pronunciamento de um governante declarava “estamos trabalhando para apreender os criminosos por façanhas tão cruéis, barbaras... Crimes horríveis. Atitudes condenáveis que precisam ser tratados urgentemente. Um reforço nacional de 2 mil homens armados tomará controle da situação de caos.”

As palavras pareciam aliviar a Alice, que logo recebera ligações de amigos e familiares, e do esposo Aldo, traficante, com a recomendação de que não saísse de casa neste dia. Com o consentimento, aguardou apreensiva, informada também que seu parceiro não voltaria tão cedo para casa e omitiu parcialmente a verdade por de trás das noticias.

Aldo não voltou para casa nesta noite, mas na manhã seguinte estava de volta, ferido, e quase agonizando, morreu nos braços de Alice. Bandido e pai de família, o mundo do crime havia decretado sua morte, já premeditada tantas vezes pela própria mulher. Ainda não se podia caminhar com tranquilidade pelas ruas. Alice velou o corpo em sua própria cama, em meio a lágrimas e muita dor, como se o tiro atingisse seu peito maternal. A pele de Aldo esfriava vagarosamente encostado ao corpo quente e suado de Alice. Uma febre interna se instaurava, mas Alice permaneceu o dia inteiro ao lado daquele corpo negro, gelado, e manchado de vermelho.

Caiu a noite com um clima fúnebre, com direito a trovoes e relâmpagos. Alice se medicava frente à televisão, com os noticiários informando a chegada da tropa nacional de armamento pesado. Chegariam à madrugada com a promessa de controlar o caos desconhecido ainda para Alice que só ouvia dizer que se tratava de boatos de uma infestação que havia contaminado grande numero da sociedade. A contaminação aconteceu no bairro de Pirajá, por causas ainda desconhecidas, cujos humanos infectados eram bandidos e policiais. O vírus se alastrou por toda a região causando terror aos moradores.

Aproximadamente duas da madrugada, em respeito da atual crise, a população permanecia acuada em suas residências sob o reforço mais rígido no horário de recolher. Era em outras palavras uma guerra aparentemente que começou em questão de segundos, impondo medo.

Assaltantes tomaram conta das ruas junto às forças armadas, em confronto, e sem nenhum medo da morte, assim como o Aldo, partiram para uma forma resistente, desesperada, e covarde. Arrombaram comércios, roubaram veículos, amedrontaram outros bairros cujas pessoas ainda se garantiam estar em segurança. As criaturas noturnas urgiam nas madrugadas, barulho de tiros se ouvia de todos os lados, e nenhum som de gente. Alice orava temerosa ao lado do corpo praticamente petrificado de Aldo.

Em Nazaré, outro bairro adjacente que compõe o conjunto de bairros do centro histórico de Salvador, Oseías, 25 anos, concursado, participava de uma festa de juízes e desembargadores, e por ironia haviam policiais não infectados, e exercendo seu posto de trabalho enquanto o resto da população se depreciava frente aos cães selvagens. Alguns policiais se recusavam a proteger as pessoas queixando-se de péssima remuneração, e por isso faziam greve durante esse evento critico de guerra ao terror na cidade de Salvador. Mas para os juízes e desembargadores eles estavam firmes, fardados e fortes para defendê-los dos zumbis.

Na conversa, em meio à drinks, dizia-se que a infestação começou com a autarquia, autorizando todo esse dilúvio de ataques internos de terrorismo, por causa de uma guerra interna em que uma parte dos policiais havia sido infectada junto com bandidos e políticos. Assim causavam o caos. As policiais sanguessugas se apropriaram da situação para alcançar mais vantagens com a crise, mantendo neutralidade de opinião. Não iam pra rua, mas também não se juntavam com os protestos de aumento salarial. Ficavam protegidos em suas casas aguardando o aumento de seus benefícios e remuneração.

Era então três diferentes classificações ideológicas, a polícia sanguessuga, a polícia traidora e a policia dominante. Essa última, a polícia dominante e legitimadora que racionalizam a greve e toda a arquitetura estratégica lutando por seus objetivos, respaldados por seu poder de dominação em relação aos atores sociais. Eles mesmos denominavam a policia que se opunha a eles, ainda que se juntasse a autarquia ou não, como “policia traidora”, mas também detinha entres esses alguns conchavos disfarçados de “traidores” freqüentando os banquetes e residências dos governantes. Quanto aos outros policiais mais neutros da situação, que somente recebiam as estratégias e comandos de legitimação, eram considerados como “sanguessugas”. Esses agiam na cibercultura, medindo e disseminando opiniões na rede social, pedindo maior participação da comunidade no seu desenvolvimento preocupando-se na conservação de seu próprio espaço, o que constitui um processo de sobrevivência coletiva. Nessa guerra, não há a participação da identidade de resistência e nem da identidade de projeto. Só há os dominantes e os dominados.

A policia detém o poder de armamento e principalmente de conhecimento sobre as colméias de onde surgiam essas criaturas sinistras que assolavam a capital. Questão é que essa mesma parcela de policiais planejou a contaminação nas colméias, para dar inicio à crise. A comunidade é refém de toda a situação, no meio dessa cortina de fogo, acuada por policiais “sem saber”, e por bandidos. A população está entre a espada e a navalha!

Por outro lado, as pessoas estão vivendo num mundo articulado de modo diferente pelos estados e pela mídia, em diferentes contextos nacionais e regionais, em que o medo freqüentemente parece ser a fonte e o fundamento para campanhas intensas de violência grupal, que vão de distúrbios civis até extensos terrorismos de zumbis.

A comunidade se sente forçada a viver nesse cenário de violência em larga escala, guerra civil, uma das piores que existe. Oseías volta para casa, indignado com o que observou na festa dos juízes e desembargadores, sentindo-se completamente indefeso e refém. O conflito armado fugiu ao contexto do estado-nação e extrapolou a lógica de qualquer tipo de realismo. O negócio em questão é a guerra como ordem. O terror, em nome de qualquer ideologia da equidade, liberdade ou justiça, procura instaurar a violência como principio regulador central da vida cotidiana. Isso é o que é mais aterrorizante pro Oseías, porque esse tipo de terror, além dos traumas que deixa no corpo, provoca auto-sacrifícios. Esse tipo de terror utiliza a emergência como lógica. Oseías olhou de perto a lógica desse pesadelo.

Por volta das 20h da noite de sexta-feira, Alice já queimava de febre e não havia mais medicamento em casa, consultou por telefone alguns amigos na tentativa de conseguir uma companhia ate a farmácia, do qual fizera uma ligação, por sorte havia apenas a farmácia próxima ao seu posto de trabalho como camelô, na Praça da Piedade. Ninguém se prontificou a ir com Alice e ainda aconselhou que ficasse em casa. Mas a febre de Alice estava pior, e também o odor do corpo do falecido.

Ela subiu a ladeira do Unhão, que estava deserto, do alto ainda havia helicópteros sobrevoando a cidade de Salvador. Passou pelo Dois de Julho, com lojas e supermercados semi abertos com agressidade, dos saques acontecidos nesse tumulto. Chegou a praça e já se avistada soldados armados de longe, ela apreensiva continuou em seus passos, tremendo de febre. Ao chegar na Praça da Piedade, ouviu uma série de disparos, então correu para dentro da Praça da Piedade. Alice foi atingida antes mesmo de chegar à farmácia. Momentos antes de fechar os olhos, vinha-se a imagem do ultra som, do seu bebê movimentando vida dentro do seu ventre, e as palavras do médico “o bebê está bem”. Ela sorriu, passou a mão na barriga de seis meses e morreu.

A noticia espalha-se rapidamente na rede social. Oseías compartilha a noticia sobre a jovem gestante assinada. Ele tenta imaginar como será que os governantes, a policia, os bandidos, os atiradores, e todos esses humanos, conseguem estar em paz com tanta atrocidade. Por quem essas pessoas rezam? Pela alma de Alice, no país da desordem, e não das maravilhas? A policia sentirá orgulho com o aumento salarial? O governo sentirá orgulho de controlar e conter a policia com outra medida que não seja o aumento? Sentirão orgulho, cada um com seus relógios atrasados? A solução nunca chega a tempo, e mais Alices e Aldos e Marias morrem no lugar da causa que eles não lutaram. Como se pode andar de cabeça erguida e caminhar pelo chão de sangue? Oseías estava completamente descontente com o governo, a policia, com mais ódio ainda dos bandidos, do homem, do país, do mundo... É o gosto de amargo que desce na garganta de todos.

O massacre continua crescendo gradativamente, com a infecção do vírus Violência, passando por Itabuna, Canavieiras, Teixeira de Freitas, Ilhéus, Porto Seguro, Jequié, Feira de Santana, Itapetinga, Vitória da Conquista, Barreiras, Itaberaba, Região Sudoeste das cidades Candido Sales, e Paulo Afonso. O vírus da violência adicionado à falta de melhor investimento na educação, melhores salários a classe de professores, melhor infra-instrutora das escolas do país... Enquanto isso as colméias urbanas e laboratórios de cárceres privados enchem cada vez mais de criminosos. E por trás de tudo isso, um grande sistema de desordem e imprudências de políticas e visão torpe em defesa de que? Da vida? Então as causas lutadas não são das mais legitimas. São desumanas, ou pior só podiam ser desenvolvidas por humanos mesmo, um tipo de humano geneticamente modificado, zumbis, que chega com um tipo de bicho chamado “violência” e toca o terror pra cima de todo mundo.

Esse cenário de horror de sobrevivência, medo ao pequeno numero, esse roteiro de zoológico de monstros e bichos selvagens, zumbis e pragas daninhas se espalhando pelo Estado da Bahia, procurou justamente explodir com a infestação justamente em duas semanas antecedentes ao maior evento de rua do mundo, o Carnaval. Uma ameaça constituída friamente, com a premeditação de mortes e demais conseqüências do sistema opressor em vigência. Mesmo que essa inflamação dolorosa encontre seu anti-inflamatório, a causa da ferida não será resolvida e o carnaval, que já está prejudicado, vai se tornar uma festa de contradição. Pessoas felizes e cantando “É festa” enquanto que mais de 20 pessoas morreram poucos dias antes pra essa festa acontecer. Do contrário, no lugar de abadas, coletes a prova de bala pra folia que não se cancelaria nem em tempo de guerra!

Turistas, Bem vindos a terra dos zumbis, onde a população são apenas residentes, de nada aqui a população governa, se tornam meros resistentes para sobreviver entre a espada e a navalha!

Por Jefferson Acácio

Em memória a mulher Gislene de Jesus, que não conheço, mas de um simples compartilhamento, me causou revolta e inspirou a personagem Alice. Gislene morreu nesta sexta-feira (03) por volta das 20h, enquanto amamentava sua filha de aproximadamente seis meses na Praça da Piedade no centro de Salvador, por onde passa o circuito do carnaval Campo Grande. Local onde daqui a duas semanas, provavelmente os foliões estarão sambando, transando, urinando, caindo de bêbados, e dançando os hits baianos do momento. A causa da morte de Gislene, segundo moradores, foi vitima de um homem armado e fardado, que atirou aleatoriamente contra a praça.
 

Encontrar o amor



‎"...Como vai enxergar quando o amor tiver chegado? Sem alma, sem visão...
Sem alma, sem destino... Estará enterrando a si próprio.
Filho, é com a alma que escrevemos nossa história.
É com a alma que nosso amor segura nossas mãos mesmo após a morte,
Conserve tua alma em paz, em luz, e o tempo não tem poder sobre você!..."

Caráter



A coisa mais preciosa que você pode mostrar pro mundo é o seu caráter. E caráter não é apenas sinônimo de honestidade. É muito mais! E o mundo em questão não é o planeta. Você precisa mostrar seu caráter diante dos mundos e realidades que existe em cada ser, cada circulo de amizades, cada cidade e cada lugar. As suas atitudes e palavras no geral é que compõem o seu caráter, pois é o seu registro d
e passagem nesse planeta. Então, como deseja apresentar-se? Com mentirinhas... ignorância... traição... se comportando como animais no cio...afastando-se de valores essências como cuidar de quem gosta e se preservar ao invés de levar a vida como se a vantagem de prazeres imediatos em momentos passageiros fossem o fruto da vida e fazendo desse bem tão precioso como uma odisséia sexual.. roubando...? Eu já fiz a minha lista Sei Shonagon pra seguir ao pé da letra rs

ELE * Autor Daniel e Samuel




Amei esse texto, não é meu, achei na internet. Fora esse só postei mais um texto de outro autor aqui no blog. Os demais são de minha autoria.

Ele sabe tudo sobre o universo, tudo que existe no ar.
Sabe exatamente quantos litros d'água tem nos rios e no mar.
Sabe quantas vidas tem na natureza
Quantas flores têm nos bosques e jardins.
Sabe onde passa o vento e conhece onde ele vai ter fim.
Ele também sabe os metros e centímetros entre terra e o céu.
Sabe decifrar o fim da matemática, sem colocar no papel.
Ele não copia nada de ninguém, nem precisa aprender pra ensinar.
Ele tem as escrituras nos planetas, o seu nome é Jeová.

Ele entra pelo gelo, sai de dentro de um vulcão.
Desce no despenhadeiro, sem levar nem arranhão.
Passa no meio das nuvens, toca no fundo do mar.
Entra dentro de uma rocha e sai do lado de lá.
Ele sabe quantas veias tem dentro de um coração,
Pega todas as baleias e põe na palma da mão.
Conta os fios de cabelo que a humanidade tem.
Ele ajuda todo mundo e não se esquece de ninguém.

Ele também sabe os códigos secretos dos exércitos da terra,
Não precisa aviões, mísseis e bombas para vencer uma guerra.
Sabe todos os segredos mundiais, do seu olho ninguém pode escapar.
Toda forma de linguagem ou dialeto, Ele sabe interpretar.
Ele tem nossas impressões digitais, e conhece todos nós.
Ele ouve as orações que agente faz, sem confundir uma voz.
Ele vê os crimes que os homens cometem,
Sabe quem esquece o amor e faz o mal,
Esta tudo registrado em sua memória para o juízo final.
Ele é Deus.


siga por email