sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O Seu Olhar

Por Jefferson Acácio


Te vejo despojado debaixo desse teto
E contemplando a luz que visita-o pela greta da janela
Te vejo andando descalço na rocha pôlida do banheiro
Sob a cascata do chuveiro
E lá fora as nuvens derramam lágrimas no asfalto
Te vejo deitado o dia inteiro revirando o corpo pra lua
Que reflete no oceano formando um véu encantado que você só conhece pela TV.
Pode-se também escolher uma grama macia, uma rede sob uma árvore ao entardecer
Te vejo tão pouco que quase ninguém saberá de ti
Se acaso vives ou se acaso finges viver
Se o seu entorno é somente concreto, cimento e gesso
Ou se há a distração das vistas em overdose de imagem
Se acaso vives, deixe pistas...
Rabisque o que sabe do mundo...o que conhece de você mesmo diante do outro.
Esse mundo resumido que conheces através da janela virtual
Ainda tem o tato, ainda pode em tudo tocar
Ainda pode derrubar esse teto e o céu explorar
Você ainda é o tal que vive o seu próprio olhar

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